Deixando as aparências

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A Mulher Samaritana ( João 4:1-26 )

Abra os olhos do meu coração

Abra os olhos do meu coração

Quero te ver, quero te ver, Senhor

(…)

Quero te ver, quero te ver

Quero te abraçar

Quero te beijar

Quero te ver…

Você já viu o Senhor Jesus? Quantas vezes, em meio a louvores, você clama “Senhor, quero te ver”? Onde você o tem procurado? Será que Ele já não passou por você e foi ignorado? Essas são perguntas que mexem com nossa curiosidade e levam-nos a indagar como podem fazer sentido. O que enxergamos pode ser fundamental para as respostas. Mas… Será que enxergamos?

Vivemos em tempos de cegueira. Nunca um povo foi tão destituído de visão como agora. Quando não são cegos, vêem aquilo que não devem ver. O que está acontecendo? Hoje em dia temos que pedir a Deus uma visão que nos faça enxergar de verdade, visualizar aquilo que os olhos do Pai são capazes de alcançar. A mulher de Samaria viu; porém, não foi capaz de enxergar.

“Foi, pois, a uma cidade de Samaria, chamada Sicar, junto da herdade que Jacó tinha dado a seu filho José. E estava ali a fonte de Jacó. Jesus, pois, cansado do caminho, assentou-se assim junto da fonte. Era isto quase a hora sexta. Veio uma mulher de Samaria tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber.” João 4:5-7

O que conhecemos sobre a samaritana que tinha sede? Que buscava água, que havia coabitado com cinco maridos, que não se comunicava com judeus por costume e… que era cega. Cega? É, cega! Por mais lindos olhos que ela tivesse e ainda que não contasse com nenhuma miopia ou astigmatismo, ela não enxergava. Ou será que você reagiria como ela ao ficar frente ao Senhor Jesus? É certo que ela ainda não o conhecia. Mas, e você que o conhece, tem cruzado com Ele por aí?

“Disse-lhe, pois, a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? (porque os judeus não se comunicavam com os samaritanos). Jesus respondeu: se tu conheceras o dom de Deus e quem é o que te diz: dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.” João 4:9-10

Nesses dias muitas pessoas têm sido levadas pela aparência. Temos olhado a etiqueta em vez do produto e isso representa um grande declínio espiritual. A mulher samaritana viu Jesus como um homem qualquer, não o enxergou como Ele é (Senhor e Rei). Ela enxergou apenas um simples judeu que ousava romper com uma tradição de anos que proibia judeus de falarem com samaritanos. Entretanto, no dia-a-dia, a aparência é o que menos importa, pois um dia estaremos na solidão do túmulo e nenhuma etiqueta vai nos confortar, apenas o que adquirimos em Deus.

O mundo em que vivemos nos manipula a ver tudo pela aparência, a olhar sempre embalagens sem considerar o conteúdo. É por isso que tratamos as pessoas assim, o que nos leva a atribuir juízos precipitados e a propagar preconceito. Deixamos de desvendar o interior de nossos irmãos, abdicando de um relacionamento verdadeiro em troca da superficialidade.

Jesus era um homem simples, estava sempre preocupado com o “eu” de cada um. Ele não foi um grande escritor ou poeta e ainda assim é o maior. Cada um de nós tem uma verdade heróica, mas esse mundo nos faz ver tudo por fora. A bíblia sempre nos convida a ver o interior de tudo, mas a disputa com a mídia faz com que olhemos apenas aparências.

“Disse-lhe a mulher: senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva? És tu maior do que nosso pai Jacó, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele, e os seus filhos, e o seu gado? Jesus respondeu, e disse-lhe: Qualquer que beber desta água tornará a ter sede, mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna.”  João 4:11-14

A mulher estava diante do poço de Jacó e de Jesus, o Senhor da vida. Por que ela não reconheceu o Messias? Teria a sede atrofiado os seus sentidos, ou a religiosidade travava sua visão? Aquela mulher vivia um ciclo de desgraça em Samaria, sua rotina era automatizada pela ida ao poço de Jacó. Devido a essa automatização, que podemos chamar de religiosidade, ela não reconheceu que aquele homem judeu e simples era o Senhor dos senhores, que poderia lhe dar a salvação.

Em muitas vezes somos tão religiosos, com doutrinas, costumes, tradições e regras obsoletas e infundadas, que passamos a vida indo ao “poço de Jacó” pegar água. Continuamos com sede sempre porque não conseguimos ver Jesus bem ao lado do poço, oferecendo-nos a água que sacia a sede eternamente. Enxergamos somente o que nos é aparente: o poço fundo que contém água apenas para um dia. Por que o povo de Deus continua querendo ter sede o tempo todo??? É assim que deixamos de ver o Senhor Jesus, quando a vida está apenas na aparência.

Não devemos olhar as pessoas como pequenos “Mc Lanches Felizes”, cujo conteúdo importa menos do que a bonita caixinha animada. Jesus pode estar por aí e talvez estejamos tão cegos que estamos vendo apenas simples mendigos. Não percamos a oportunidade de ver pequenos Cristos pelo caminho devido a nossa pressa. Disso pode depender nossa eternidade com o Pai.

A mulher era religiosa, julgava que o poço de Jacó era o que matava sua sede. E você, onde está o seu poço? Em que você tem colocado seu coração para saciar a sua sede? Olhe em volta do poço, tente perceber que a água da vida não está ali. Temos que deixar a religiosidade.

“Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me dessa água, para que não mais tenha sede e não venha aqui tirá-la. Disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido, e vem cá. A mulher respondeu, e disse: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido. Porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade.” João 4:15-18

Jesus tocou na ferida. Ser religioso é fruto de pecado escondido e não confessado. A religiosidade, na verdade, é como uma máscara posta para camuflar o que de feio há. Assim foi com a mulher de Samaria. O Senhor conhecia os pecados mais íntimos daquela mulher e os denunciou como uma forma de libertá-la desse jugo. A mulher foi desafiada a consertar sua vida em relação ao seu marido. Isso pode até ter doído em sua alma, mas foi o ponto de partida para acabar com sua “prisão”.

Precisamos expor os pecados para que sejamos curados (Tg 5:16) e libertos de nossa religiosidade, pois isso nos restabelecerá a visão e, então, enxergaremos Jesus exatamente como Ele é. A água da vida está sempre a nossa disposição e ter sede todos os dias ou ser saciado eternamente só depende de nós mesmos. A bíblia é a água que pode saciar nossa sede e quebrar a barreira de nossos preconceitos. Ela é o grande manual de vida e uma vida longe de religiosidade e cegueira. Abramos nossos olhos para a Palavra de Deus, e ela será colírio para nossa visão espiritual.

“Deixou, pois, a mulher o seu cântaro, e foi à cidade, e disse àqueles homens: Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito; porventura não é este o Cristo? Saíram, pois, da cidade e foram ter com ele.” João 4:28-30

Relembre sua vida antes de Jesus, o quanto era vazia e sedenta. Como você o conheceu? Como foi o fenômeno de transporte do império das trevas para o reino do filho do Seu amor? Foi preciso que alguém anunciasse as palavras de salvação a você, não é mesmo? Foi necessário que uma pessoa experimentada da água da vida pudesse oferecer-te de beber. É por isso que hoje você é filho de Deus, servo do Rei. É por isso que de sede você não morrerá nunca mais… No entanto, beber a água de Jesus não é tão simples, pois ele vai nos desafiar a consertar nossas vidas e viver em retidão.

“Não dizeis vós que ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Eis que eu vos digo: Levantai os vossos olhos e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa. E o que ceifa recebe galardão e ajunta fruto para a vida eterna, para que, assim o que semeia como o que ceifa, ambos se regozijem.” João 4:35-36

O que temos feito com tudo o que experimentamos da parte de Deus? Como utilizamos a palavra de vida eterna? Como testemunhamos de Jesus Cristo? Será que estamos guardando tudo em uma caixinha bem bonita em vez de disseminar tudo isso em prol de tantos que, como nós um dia precisamos, necessitam conhecer o Messias? A mulher de Samaria espalhou tudo o que ouvira naquele pequeno momento com o Senhor e, logo que conheceu as palavras de vida que Jesus falava, sem demora foi dar testemunho aos outros moradores daquela cidade, os quais, lembrando, eram religiosos e dependentes do poço de Jacó.

“E muitos dos samaritanos daquela cidade creram nele, pela palavra da mulher, que testificou: Disse-me tudo quanto tenho feito (…) E diziam à mulher: Já não é pelo teu dito que nós cremos, porque nós mesmos o temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo.” João 4:39;42

O efeito de testificar de Cristo é salvação, redenção e libertação. A intenção de Deus, primeiramente, é que bebamos da água da vida e, em seguida, sejamos libertos dos pecados. Assim, somos capazes de anunciar o que Ele faz em nossas vidas e isso gera o mesmo em outros. Muitos acertarão suas vidas por causa de nosso testemunho, assim como ocorreu com a mulher de Samaria. Para isso, como cristãos, nesses dias devemos ter poucas palavras e uma vida de bom testemunho, pois isso fará com que vejam a Deus. No final, a etiqueta irá para o lixo e o conteúdo transformará nossas vidas. Com isso, a Igreja será mais saudável, unida e feliz .

“Abra os olhos do meu coração

Abra os olhos do meu coração

Quero te ver, quero te ver, Senhor

(…)

Quero te ver, quero te ver

Quero te abraçar

Quero te beijar

Quero te ver…”

Alexandre Pilar

As Pedras Clamam !!!

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Uma leitura sobre a sociedade pós moderna:

A sociedade pós moderna surgiu na década de 60 no período de transformações pós – guerra. E é para essa sociedade que nós estamos incumbidos de viver e levar as Boas Novas de Cristo. Meu intuito é de te encorajar, pois a cruz é mesmo uma alternativa para esse tempo. Uma marca desse período é a mudança de mentalidade, e alguns fenômenos a caracterizam:

1) Dissolução familiar – A Pós modernidade é marcada pela crítica a estrutura familiar clássica, sendo essa uma visão global e extremamente individualista. Os casamentos acontecem cada vez mais tarde e acabam cada vez mais cedo.

2) Ruptura com as igrejas tradicionais que até então eram responsáveis pela educação moral e ética dos indivíduos.

Vale salientar que até esse período a formação do indivíduo se dava nas seguintes esferas:

  • Família – socialização
  • Igreja – ética e moral (uso do sobrenatural com a figura de um Deus castigador)
  • Escola -Cultural

3) Dilatação da juventude – A sociedade pós moderna se torna refém da idéia de ser jovem: as crianças querem ser jovens logo (ex: a 1ª menstruação está ocorrendo cada vez mais cedo)

, Os adolescentes e jovens resistem ao crescimento e amadurecimento (ex: segundo dados do INSS, as avós financiam os netos que não trabalham nas classes mais baixas) e os adultos e velhos querem permanecer jovens, não se usa o termo velho ou idoso e sim “melhor idade” (ex: plásticas, academias e cosméticos).

Existem três conquistas que os homens almejam desde o deu nascimento:

1º) Nascer desejado, bem vindo, acolhido

2º) Autonomia (dignidade , auto estima ,…)

3º) Ter significado para a sua vida

Essa “juventude” tem falta de autonomia, pois não tem significado para a sua vida

4) Felicidade através do desejo individual – Essa sociedade tem dificuldade com os deveres e uma de suas marcas é “ fazer o que eu quero , como e quando eu quero “.

5) Comunicação - Vivemos em dias de comunicação de massa (em menos tempo a comunicação abrange mais espaço). O mundo virtual cresce muito rápido, com as seguintes características:

  • Nova língua escrita
  • Relações objetivistas, sem afeto
  • Contratos fluídos, ou seja, atendem a individualidade. A liberdade individual vale mais que o contrato coletivo.

O coletivo nasce com a figura paterna (ele é o 1º outro), amplia-se na figura dos irmãos (família) e amplia-se ainda mais no espaço da escola.

6) Sustentabilidade – Esse conceito se estende a sustentabilidade ética e nos valores das relações.

Essa é a grande utopia do século XXI  , já que essa sociedade apresenta valores não sustentáveis .

“ O que faz a narrativa não é a voz , é o ouvido “ ( Ítalo Calvino. )

Esse material foi produzindo durante um congresso para educadores do qual eu participei no sábado – 21/08/2010 .

Paz…

Patrícia Pilar

Pessoalmente o melhor título seria “Restaurando o Caminho”

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Inspirado no cristianismo primitivo e conectado à internet, um grupo crescente de religiosos critica a corrupção neopentecostal e tenta recriar o protestantismo à brasileira.

Rani Rosique não é apóstolo, bispo, presbítero nem pastor. É apenas um cirurgião geral de 49 anos em Ariquemes, cidade de 80 mil habitantes do interior de Rondônia. No alpendre da casa de uma amiga professora, ele se prepara para falar.

Cercado por conhecidos, vizinhos e parentes da anfitriã, por 15 minutos Rosique conversa sobre o salmo primeiro (“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios”). Depois, o grupo de umas 15 pessoas ora pela última vez – como já havia orado e cantado por cerca de meia hora antes – e então parte para o tradicional chá com bolachas, regado a conversa animada e íntima.

Desde que se converteu ao cristianismo evangélico, durante uma aula de inglês em Goiânia em 1969, Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Com o passar do tempo, esses grupos cresceram e se multiplicaram. Hoje, são 262 espalhados por Ariquemes, reunindo cerca de 2.500 pessoas, organizadas por 11 “supervisores”, Rosique entre eles. São professores, médicos, enfermeiros, pecuaristas, nutricionistas, com uma única característica comum: são crentes mais experientes.

Apesar de jamais ter participado de uma igreja nos moldes tradicionais, Rosique é hoje uma referência entre líderes religiosos de todo o Brasil, mesmo os mais tradicionais. Recebe convites para falar sobre sua visão descomplicada de comunidade cristã, vindos de igrejas que há 20 anos não lhe responderiam um telefonema.

Ele pode ser visto como um “símbolo” do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.

Estima-se que haja cerca de 46 milhões de evangélicos no Brasil. Seu crescimento foi seis vezes maior do que a população total desde 1960, quando havia menos de 3 milhões de fiéis espalhados principalmente entre as igrejas conhecidas como históricas (batistas, luteranos, presbiterianos e metodistas).

Na década de 1960, a hegemonia passou para as mãos dos pentecostais, que davam ênfase em curas e milagres nos cultos de igrejas como Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil e O Brasil Para Cristo.

A grande explosão numérica evangélica deu-se na década de 1980, com o surgimento das denominações neopentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Renascer. Elas tiraram do pentecostalismo a rigidez de costumes e a ele adicionaram a “teologia da prosperidade” (leia o quadro abaixo). Há quem aposte que até 2020 metade dos brasileiros professará à fé evangélica.

Clique na Imagem para Ampliar :

Dentro do próprio meio, levantam-se vozes críticas a esse crescimento. Segundo elas, esse modelo de igreja, que prospera em meio a acusações de evasão de divisas, tráfico de armas e formação de quadrilha, tem sido mais influenciado pela sociedade de consumo que pelos ensinamentos da Bíblia. “O movimento evangélico está visceralmente em colapso”, afirma o pastor Ricardo Gondim, da igreja Betesda, autor de livros como Eu creio, mas tenho dúvidas: a graça de Deus e nossas frágeis certezas (Editora Ultimato). “Estamos vivendo um momento de mudança de paradigmas. Ainda não temos as respostas, mas as inquietações estão postas, talvez para ser respondidas somente no futuro.”

Nos Estados Unidos, a reinvenção da igreja evangélica está em curso há tempos. A igreja Willow Creek de Chicago trabalhava sob o mote de ser “uma igreja para quem não gosta de igreja” desde o início dos anos 1970.

Em São Paulo, 20 anos depois, o pastor Ed René Kivitz adotou o lema para sua Igreja Batista, no bairro da Água Branca – e a ele adicionou o complemento “e uma igreja para pessoas de quem a igreja não costuma gostar”. Kivitz é atualmente um dos mais discutidos pensadores do movimento protestante no Brasil e um dos principais críticos da“religiosidade institucionalizada”.

Durante seu pronunciamento num evento para líderes religiosos no final de 2009, Kivitz afirmou: “Esta igreja que está na mídia está morrendo pela boca, então que morra. Meu compromisso é com a multidão agonizante, e não com esta igreja evangélica brasileira.”

Essa espécie de “nova reforma protestante” não é um movimento coordenado ou orquestrado por alguma liderança central. Ela é resultado de manifestações espontâneas, que mantêm a diversidade entre as várias diferenças teológicas, culturais e denominacionais de seus ideólogos. Mas alguns pontos são comuns.

O maior deles é a busca pelo papel reservado à religião cristã no mundo atual. Um desafio não muito diferente do que se impõe a bancos, escolas, sistemas políticos e todas as instituições que vieram da modernidade com a credibilidade arranhada.

“As instituições estão todas sub judice”, diz o teólogo Ricardo Quadros Gouveia, professor da Universidade Mackenzie de São Paulo e pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro do Limão. “Ninguém tem dúvida de que espiritualidade é uma coisa boa ou que educação é uma coisa boa, mas as instituições que as representam estão sob suspeita.”

Uma das saídas propostas por esses pensadores é despir tanto quanto possível os ensinamentos cristãos de todo aparato institucional. Segundo eles, a igreja protestante (ao menos sua face mais espalhafatosa e conhecida) chegou ao novo milênio tão encharcada de dogmas, tradicionalismos, corrupção e misticismo quanto a Igreja Católica que Martinho Lutero tentou reformar no século XVI.

“Acabamos nos perdendo no linguajar ‘evangeliquês’, no moralismo, no formalismo, e deixamos de oferecer respostas para nossa sociedade”, afirma o pastor Miguel Uchôa, da Paróquia Anglicana Espírito Santo, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. “É difícil para qualquer pessoa esclarecida conviver com tanto formalismo e tão pouco conteúdo.”

Uchôa lidera a maior comunidade anglicana da América Latina. Seu trabalho é reconhecido por toda a cúpula da denominação como um dos mais dinâmicos do país. Ele é um dos grandes entusiastas do movimento inglês Fresh Expressions, cujo mote é “uma igreja mutante para um mundo mutante”. Seu trabalho é orientar grupos cristãos que se reúnem em cafés, museus, praias ou pistas de skate. De maneira genérica, esses grupos são chamados de “igreja emergente” desde o final da década de 1990.

“O importante não é a forma”, afirma Uchôa. “É buscar a essência da espiritualidade cristã, que acabou diluída ao longo dos anos, porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas. É contra isso que estamos nos levantando.”

No meio dessa busca pela essência da fé cristã, muitas das práticas e discursos que eram característica dos evangélicos começaram a ser considerados dispensáveis. Às vezes, até condenáveis. Em Campinas, no interior de São Paulo, ocorre uma das experiências mais interessantes de recriação de estruturas entre as denominações históricas.

A Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera não tem um templo. Seus frequentadores se reúnem em dois salões anexos a grandes condomínios da cidade e em casas ao longo da semana.

Aboliram a entrega de dízimos e as ofertas da liturgia. Os interessados em contribuir devem procurar a secretaria e fazê-lo por depósito bancário – e esperar em casa um relatório de gastos.

Os sermões são chamados, apropriadamente, de “palestras” e são ministrados com recursos multimídias por um palestrante sentado em um banquinho atrás de um MacBook. A meditação bíblica dominical é comumente ilustrada por uma crônica de Luis Fernando Verissimo ou uma música de Chico Buarque de Hollanda.

“Os seminários teológicos formam ministros para um Brasil rural em que os trabalhos são de carteira assinada, as famílias são papai, mamãe, filhinhos e os pastores são pessoas respeitadas”, diz Ricardo Agreste (foto ao lado), pastor da Comunidade e autor dos livros Igreja? Tô fora e A jornada (ambos lançados pela Editora Socep). “O risco disso é passar a vida oferecendo respostas a perguntas que ninguém mais nos faz. Há muita gente séria, claro, dizendo verdades bíblicas, mas presas a um formato ultrapassado.”

Outro ponto em comum entre esses questionadores é o rompimento declarado com a face mais visível dos protestantes brasileiros: os neopentecostais. “É lisonjeador saber que atraímos gente com formação universitária e que nos consideram ‘pensadores’”, afirma Ricardo Agreste.

“O grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência, é de ética e honestidade.” Segundo ele, a velha discussão doutrinária foi substituída por outra. “Não é mais uma questão de pensar de formas diferentes a espiritualidade cristã”, diz. “Trata-se de entender que há gente usando vocabulário e elementos de prática cristã para ganhar dinheiro e manipular pessoas.”

Esse rompimento da cordialidade entre os evangélicos históricos e os neopentecostais veio a público na forma de livros e artigos. A jornalista (evangélica) Marília Camargo César publicou no final de 2008 o livro Feridos em nome de Deus (Editora Mundo Cristão), sobre fiéis decepcionados com a religião por causa de abusos de pastores.

O teólogo Augustus Nicodemus Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, publicou O que estão fazendo com a Igreja: ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro (Mundo Cristão), retrato desolador de uma geração cindida entre o liberalismo teológico, os truques de marketing, o culto à personalidade e o esquerdismo político.

Em um recente artigo, o presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas, João Flavio Martinez, definiu como “macumba para evangélico” as práticas místicas da Igreja Universal do Reino de Deus, como banho de descarrego e sabonete com extrato de arruda.

Tais críticas, até pouco tempo atrás, ficavam restritas aos bastidores teológicos e às discussões internas nas igrejas. Livros mais antigos – como Supercrentes, Evangélicos em crise, Como ser cristão sem ser religioso e O evangelho maltrapilho (todos da editora Mundo Cristão) – eram experiências isoladas, às vezes recebidos pelos fiéis como desagregadores. “Parece que a sociedade se fartou de tanto escândalo e passou a dar ouvidos a quem já levantava essas questões há tempos”, diz Mark Carpenter, diretor-geral da Mundo Cristão.

Procurado por ÉPOCA, Geraldo Tenuta, o Bispo Gê, presidente nacional da Igreja Renascer em Cristo, preferiu não entrar em discussões. “Jesus nos ensinou a não irmos contra aqueles que pregam o evangelho, a despeito de suas atitudes”, diz ele. “Desde o início, éramos acusados disto ou daquilo, primeiro porque admitíamos rock no altar, depois porque não tínhamos usos e costumes. Isso não nos preocupa. O que não é de Deus vai desaparecer, e não será por obra dos julgamentos.”

A Igreja Universal do Reino de Deus – que, na terceira semana de julho, anunciou a construção de uma “réplica do Templo de Salomão” em São Paulo, com “pedras trazidas de Israel” e “maior do que a Catedral da Sé” – também foi procurada por ÉPOCA para comentar os movimentos emergentes e as críticas dirigidas à igreja. Por meio de sua assessoria, o bispo Edir Macedo enviou um e-mail com as palavras: “Sem resposta”.

O sociólogo Ricardo Mariano, autor do livro Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil (Editora Loyola), oferece uma explicação pragmática para a ruptura proposta pelo novo discurso evangélico.

Ateu, ele afirma que o objetivo é a busca por uma certa elite intelectual, um público mais bem informado, universitário, mais culto que os telespectadores que enchem as igrejas populares.

“Vivemos uma época em que o paciente pesquisa na internet antes de ir ao consultório e é capaz de discutir com o médico, questionar o professor”, diz. “Num ambiente assim, não tem como o pastor proibir nada. Ele joga para a consciência do fiel.”

A maior parte da movimentação crítica no meio evangélico acontece nas grandes cidades. O próprio pastor Kivitz afirma que “talvez não agisse da mesma forma se estivesse servindo alguma comunidade em um rincão do interior” e que o diálogo livre entre púlpito e auditório passa, necessariamente, por uma identificação cultural.

“As pessoas não querem dogmas, elas querem honestidade”, diz ele. “As dúvidas delas são as minhas dúvidas. Minha postura é, juntos, buscarmos respostas satisfatórias a nossas inquietações.”

Por isso mesmo, Ricardo Mariano não vê comparação entre o apelo das novas igrejas protestantes e das neopentecostais. “O destino desses líderes será ‘pescar no aquário’, atraindo insatisfeitos vindos de outras igrejas, ou continuar falando para meia dúzia de pessoas”, diz ele.

De acordo com o presbiteriano Ricardo Gouveia, “não há, ou não deveria haver, preocupação mercadológica” entre as igrejas históricas. “Não se trata de um produto a oferecer, que precise ocupar espaço no mercado”, diz ele. “Nossa preocupação é simplesmente anunciar o evangelho, e não tentar ‘melhorá-lo’ ou torná-lo mais interessante ou vendável.”

O advento da internet foi fundamental para pastores, seminaristas, músicos, líderes religiosos e leigos decidirem criar seus próprios sites, portais, comunidades e blogs. Um vídeo transmitido pela Igreja Universal em Portugal divulgando o Contrato da fé – um “documento”, “autenticado” pelos pastores, prometendo ao fiel a possibilidade de se “associar com Deus e ter de Deus os benefícios” – propagou-se pela rede, angariando toda sorte de comentários.

Outro vídeo, em que o pregador americano Moris Cerullo, no programa do pastor Silas Malafaia, prometia uma “unção financeira dos últimos dias” em troca de quem “semear” um “compromisso” de R$ 900 também bombou na rede. Uma cópia da sentença do juiz federal Fausto De Sanctis (lembre AQUI) condenando os líderes da Renascer Estevam e Sônia Hernandes por evasão de divisas circulou no final de 2009.

De Sanctis afirmava que o casal “não se lastreia na preservação de valores de ética ou correção, apesar de professarem o evangelho”. “Vergonha alheia em doses quase insuportáveis” foi o comentário mais ameno entre os internautas.

Sites como Pavablog, Veshame Gospel, Irmãos.com, Púlpito Cristão, Caiofabio.net ou Cristianismo Criativo fazem circular vídeos, palestras e sermões e debatem doutrinas e notícias com alto nível de ousadia e autocrítica.

De um grupo de blogueiros paulistanos, surgiu a ideia da Marcha pela ética, um protesto que ocorre há dois anos dentro da Marcha para Jesus (evento organizado pela Renascer). Vestidos de preto, jovens carregam faixas com textos bíblicos e frases como “O $how tem que parar” e “Jesus não está aqui, ele está nas favelas”.

A maior parte desses blogueiros trafega entre assuntos tão diversos como teologia, política, televisão, cinema e música popular. O trânsito entre o “secular” e o “sagrado” é uma das características mais fortes desses novos evangélicos. “A espiritualidade cristã sempre teve a missão de resgatar a pessoa e fazê-la interagir e transformar a sociedade”, diz Ricardo Agreste. “Rompemos o ostracismo da igreja histórica tradicional, entramos em diálogo com a cultura e com os ícones e pensamento dessa cultura e estamos refletindo sobre tudo isso.”

Em São Paulo, o capelão Valter Ravara criou o Instituto Gênesis 1.28, uma organização que ministra cursos de conscientização ambiental em igrejas, escolas e centros comunitários. “É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia”, afirma Ravara. “O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar.” Ravara publicou em 2008 a Bíblia verde, com laminação biodegradável, papel de reflorestamento e encarte com textos sobre sustentabilidade.

A então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, escreveu o prefácio da Bíblia verde. Sua candidatura à Presidência da República angariou simpatia de blogueiros e tuiteiros, mas não o apoio formal da Assembleia de Deus, denominação a que ela pertence.

A separação entre política e religião pregada por Marina é vista como um marco da nova inserção social evangélica. O vereador paulistano e evangélico Carlos Bezerra Jr. afirma que o dever do político cristão é “expressar o Reino de Deus” dentro da política. “É o oposto do que fazem as bancadas evangélicas no Congresso, que existem para conseguir facilidades para sua denominação e sustentar impérios eclesiásticos”, diz ele.

O raciocínio antissectário se espalhou para a música. Nomes como Palavrantiga, Crombie, Tanlan, Eduardo Mano, Helvio Sodré e Lucas Souza se definem apenas como “música feita por cristãos”, não mais como “gospel”.

Eles rompem os limites entre os mercados evangélico e pop. O antissectarismo torna os evangélicos mais sensíveis a ações sociais, das parcerias com ONGs até uma comunidade funcionando em plena Cracolândia, no centro de São Paulo.

“No fundo, nossa proposta é a mesma dos reformadores”, diz o presbiteriano Ricardo Gouveia. “É perceber o cristianismo como algo feito para viver na vida cotidiana, no nosso trabalho, na nossa cidadania, no nosso comportamento ético, e não dentro das quatro paredes de um templo.”

A teologia chama de “cristocêntrico” o movimento empreendido por esses crentes que tentam tirar o cristianismo das mãos da estrutura da igreja – visão conhecida como “eclesiocêntrica” – e devolvê-lo para a imaterialidade das coisas do espírito. É uma versão brasileiramente mais modesta do que a Igreja Católica viveu nos tempos da Reforma Protestante. Desta vez, porém, dirigida para a própria igreja protestante. Depois de tantos desvios, vozes internas levantaram-se para propor uma nova forma de enxergar o mundo.

E, como efeito, de ser enxergadas por ele. Nas palavras do pastor Kivitz: “Marx e Freud nos convenceram de que, se alguém tem fé, só pode ser um estúpido infantil que espera que um Papai do Céu possa lhe suprir as carências. Mas hoje gostaríamos de dizer que o cristianismo tem, sim, espaço para contribuir com a construção de uma alternativa para a civilização que está aí. Uma sociedade que todo mundo espera, não apenas aqueles que buscam uma experiência religiosa”.

Fonte: Revista Época

ECAP

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A ECAP não é uma escola para profetas, e sim para qualquer cristão que deseja ser capacitado em ter uma mente profética e fluir nos dons proféticos. Sendo assim, o objetivo do curso não é ensinar um método de como profetizar, mas sim romper a nossa mente para que ela possa funcionar com uma visão de reino.

Proposta diretiva para ECAP

Cremos claramente nisto, nesta mentalidade e neste momento. Não é uma questão de buscar coisas novas, mas provavelmente fazer as mesmas coisas com a mente renovada. Assim há muitos benefícios, pois a tendência é um ampliar daquilo que já está sendo feito, uma melhor eficácia, contribuindo em muito para o estabelecimento. Tudo porque a manutenção do que já está sendo feito traz mais clareza e domínio.
Não nos firmamos apenas no que já sabemos, mas, mediante o que já sabemos, estamos prosseguindo, assim como aconteceu com Elias e Eliseu. O funcionamento de Eliseu não foi diferente do de Elias, mas Eliseu trabalhou ampliando o que seu antecessor tinha feito. Percebemos, então, que isso foi uma manutenção do que já havia sido construído, mas Elias foi substituído porque sua mente não acompanhava mais o momento de transição que Israel estava vivendo. O sinal para isso foi que Deus mandou Elias ungir dois reis e um novo profeta, mas Elias não tinha mais uma mentalidade disposta para aquele momento, tanto que não o cumpriu.
Paulo deixa muito clara a necessidade dessa transição em Romanos 12, quando diz que a renovação da mente trabalha para a transformação, e isso nos leva a conhecer com precisão o que Deus está fazendo neste tempo vigente (v.2).
A melhoria do nosso funcionamento não pode ter por ideal obter resultados, porque os resultados já foram obtidos por Cristo. É uma questão de saber fazer uso deles, e os resultados dEle são: a nova criação, a redenção, a santificação, a renovação e o acesso ao Reino de Deus.
E assim definimos a proposta diretiva para esta escola: auxiliar a nossa geração no desenvolvimento e no aperfeiçoamento de uma mentalidade adequada para este momento de transição.

Equipe ministerial

Nós, enquanto Igreja, não estamos tão acostumados com essa forma de expressão do Corpo de Cristo: um funcionamento como Igreja sem um foco congregacional e com objetivo de mobilizar grupos de pessoas em diversas regiões. Pessoas essas que querem fazer parte de uma atividade profética e apostólica, que é um trabalho estratégico dentro do plano da “restauração de todas as coisas” (At 3:21). Traduzindo estes termos: Nós não somos contra o convívio congregacional nem pregamos contra isso, estamos apenas nos posicionando dentro daquilo que fomos chamados para cumprir nesta geração. Sabemos que não é de costume no Brasil essa forma de movimentação ou serviço, mas estamos levando essa função com muita seriedade, entendendo que também faz parte do nosso papel abrir um caminho para este tipo de funcionamento. Gostaríamos de esclarecer e afirmar que isso não substitui o funcionamento congregacional nem diminui sua importância, é apenas um ampliar daquilo que já conhecemos sobre como ser Igreja, que é o Corpo de Cristo. Queremos afirmar que somos Igreja, mas não com o cunho congregacional. Somos uma equipe focada no aperfeiçoamento dos santos que trabalha na edificação deste mesmo Corpo do qual fazemos parte (Rm 16). Logo, esta é uma oportunidade para você conhecer esta equipe em atuação na escola, assim como ser aperfeiçoado em diferentes áreas de serviço do Corpo de Cristo (apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres – Efésios 4.11,12).
Em Romanos 16:1-15, Paulo especifica esses diferentes tipos de funcionamento: aqueles dos quais ele cita como cooperadores são os que fazem parte de sua própria equipe ministerial… Mando saudações a Priscila e ao seu marido Áquila, meus companheiros no serviço(cooperadores ) de Cristo Jesus. (Rm 16:3). Outros ele cita como a Igreja que se reúne dentro de uma forma congregacional… Saudações também à igreja que se reúne na casa deles.(Rm 16:5).
É importante também você saber que o foco de todo assunto tratado na escola não está relacionado ao funcionamento congregacional, a dizer, na congregação, e sim para que você funcione a partir dela, por meio de mobilizações.

Horários:

Rio de Janeiro: todo primeiro final de semana nos próximos 4 meses
Cabo Frio: todo terceiro final de semana nos próximos 4 meses (excepcionalmente em agosto, será no quarto)
Sexta – 19:30h às 22h
Sábado – 14h às 16h + MANIFESTO (prático): 16:40h às 18:40h + 19h às 21h
Domingo – 10h às 12h

Investimento:

De R$25,00 a R$50,00 (o investimento fica a seu critério, dentro desses valores mínimo e máximo, tomando por premissa quanto a escola vale pra você).
A inscrição, assim como o investimento, será efetuada em cada mês, no primeiro dia da escola.

Locais:

Rio de janeiro

Ministério Geração Livre (sexta e sábado)
Rua das Safiras, 156 – Rocha Miranda – Rio de Janeiro

Ministério Fluir (domingo)
Rua Dr.LuizBicalho,561 – Rocha Miranda – Rio de Janeiro

Cabo frio (RJ)

Rua Expedicionarios da Pátria n 341
São Cristóvão – Cabo Frio-RJ
Contato : 022- 9922 9226(Luciano oliveira)

Denominações na TV Boas Novas …

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